
...você é mais baixo do que queria. Você é mais fraco do que queria. Não é tão inteligente ou esperto quanto queria ser. Não se sente tão belo ou atraente quanto sente vontade de ser. As palavras nunca saem de sua boca como elas saem de seu coração. Você procura algo em você mesmo que você não sabe exatamente o que é, mas, sabe que é algo que precisa muito ter para você. Como se sentisse sede e estivesse longe de qualquer fonte de agua pura, está bem diante de seus olhos, mas, não lhe parece fazer bem. Por algum motivo, lhe parece que as pessoas ao seu redor tem mais motivos do que você para sorrir. Está todo mundo muito feliz, todo mundo muito satisfeito com o que tem, com sua casa, com seu carro, com sua familia, com seu status, com seu emprego, com seu maldito cartão de credito, com um amor perfeitamente realizado além de uma aventura extra-conjugal excitante, com um grupo de amigos com quem se encaixa bem, apesar dos comentários maliciosos que proporcionam assunto para horas e horas de conversa. E você não tem como ambição sequer metade das coisas que estas pessoas exibem com orgulho, quer apenas ter com quem conversar e passar algum momento feliz. Mas percebe quanto é perda de tempo tentar se relacionar com os outros, que nunca lhe darão atenção a menos que você tenha algo a oferecer para eles, e que se divertirão as suas custas na primeira oportunidade. Aí então você desiste de procurar companhia entre uma multidão, procura apenas aquela pessoa especial que todos dizem existir e que faz de você mais completo. Entra de cabeça em uma paixão, para não dizer entrar de total coração, sem reservas. Mas aí você descobre quando esta pessoa que você esperava ser especial está apenas jogando com seus sentimentos, e se divertindo as suas custas, e que você nunca será correspondido da maneira como acredita merecer...tenta novamente, imaginando que talvez você apenas procurou na pessoa errada, e descobre que esta cena insiste em se repetir, não importa quantas vezes você tente ser melhor para a outra pessoa, ela nunca te dará o devido valor. Sim, eu penso que eu te conheço. Você para de querer procurar alguma felicidade, e se conforma com emoções baratas. Tenta fazer de um senso medíocre de prazer através do consumo uma forma de felicidade, imitando assim os idiotas ao seu redor. Passa a comprar o que te faz bem, colecionar o que te faz bem, assistir o que te faz bem. Quando terminam as coisas que te fazem bem, busca nas que te fazem mal, somente pela sensação de desaparecer. E quer isto mais e mais, a cada dia. Mas aí você percebe que isto apenas abre um buraco maior dentro de você, você sente falta de algo genuíno, de calor humano verdadeiro, não apenas uma trepada no final de semana ou beber até esquecer sua própria identidade. Mas as pessoas continuam sendo as mesmas, por mais que você tente faze-las felizes para assim elas retribuirem isto a você. E o ciclo se repete. Sim, eu conheço você...
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