segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


Mesmo inteiro eu me sinto desmembrado. Quilos acumulados de incômodos e arrependimentos bagunçam tudo por aqui, e sinto meus braços longe de alcançarem alguma coisa a minha frente, mesmo esticados ao máximo contra minha vontade. Me sinto uma carcaça de navio abandonado partido aos pedaços dentro de uma gruta e incapacitado de sair dali por conta própria. Tento gritar mas minha voz ressoa no meu orgulho. Acabo hipnotizado por meus erros e tento ser maior do que eu sou, tento acreditar ser capaz de voar, mesmo quando mal consigo rastejar no chão. PRECISO acreditar que não estou vencido. PRECISO calar os risos e as vozes acusativas e arrancar a dentadas os dedos que me apontam e me julgam. Preciso de algo que me faça sentir um super-homem, e que me faça parar de mendigar ternura. Num copo de vidro em uma mesa qualquer de bar encontro uma dose de algo que eu acredito que me trará calor. Viro contra a vontade um gole violento e sinto-me invadido por uma onda de risos histéricos e alegria louca, como uma onda violenta de verão invadindo a velha gruta de meu corpo e carregando tudo com sua força. Sinto-me um animal bom. Sinto-me um cão de rua feliz por ganhar um pedaço de carne. Sinto-me dissolvendo em uma solução ácida e ainda assim sorrio para minha possível morte. Pois estar alcoolizado é sentir um calor que me conforta, não como poderia ser o calor de um abraço ou um calor de um beijo apaixonado, mas, ainda assim, sinto-me leve...Todo o lixo de dentro de mim flutua em uma inundação alcoólica. Apenas para se debaterem e me deixar me sentindo mais sujo com os destroços que restaram do meu eu que devia ter morrido enquanto perdia o controle...

Sinto-me sendo sugado para fora de mim, e a dor é o menor dos incômodos...

Vincent|Fool

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